Reflexão
O desenvolvimento e a aprendizagem processam-se de forma holística e devem ser promovidos através do currículo. Deste modo, o currículo é encarado como um fio condutor que orienta e auxilia o educador, na medida em que lhe é dada a liberdade na escolha das abordagens e nas estratégias utilizadas com o seu grupo de crianças. De acordo com as Orientações Curriculares para a Educação de Infância, este currículo pode ser explorado consoante diversas formas e com principal ênfase na criança. Assim, o educador, na sua prática pedagógica, pode escolher a abordagem mais apropriada para usar, baseando-se sempre na definição da sua intencionalidade educativa e nos objetivos que considerou importantes desenvolver com o seu grupo de crianças.
Segundo Souza e Veríssimo (2015), o desenvolvimento infantil consiste num processo ativo e individual de cada criança que decorre das contínuas mudanças em habilidades motoras, cognitivas, psicossociais e de linguagem, sendo estas mudanças progressivamente mais complexas e direcionando-as para o exercício do seu papel social. Os primeiros anos da infância, onde se realiza a interação das características biopsicológicas com as experiências oferecidas pelo meio, são sem dúvida os anos mais decisivos no processo de desenvolvimento.
A relação entre o desenvolvimento e a aprendizagem na educação de infância "assenta no reconhecimento que brincar é a atividade natural da iniciativa da criança que revela a sua forma holística de aprender." (Silva et al., 2016, p.10). No entanto, o brincar não deve ser visto de uma forma redutora, como uma atividade para entreter crianças. Deve ser visto como uma atividade enriquecedora e cabe ao educador proporcionar um ambiente educativo e recursos diversificados que estimulem as crianças. Ao brincar a criança tem a oportunidade de fazer escolhas, resolver conflitos e trocar opiniões com outras crianças, tornando-se assim num indivíduo autónomo.
Primeiramente, destacamos que foi de extrema importância para as nossas futuras práticas profissionais compreender que o desenvolvimento e a aprendizagem são dois conceitos indissociáveis, ou seja, não ocorrem de forma isolada. Desta forma, antes de as crianças adquirirem certas aprendizagens, é necessário que desenvolvam determinadas competências, tendo em vista tais aprendizagens. Ao compreendermos e entendermos a interligação existente entre o desenvolvimento, a aprendizagem e o currículo, alcançamos um dos objetivos estipulados para esta Unidade Curricular, o que significa que desenvolvemos uma das aptidões fundamentais para o nosso futuro profissional, enquanto futuras educadoras.
O berçário e a creche são áreas bastante desvalorizadas. Nós, sabendo disso e também tendo uma grande vontade de explorar e estudar estas áreas, assim como as aulas da Unidade Curricular, compreendemos que os bebés, nos primeiros anos de vida, absorvem as informações como "esponjas", por isso, consideram-se os melhores anos para promover a aquisição de aprendizagens enriquecedoras. Tudo isto potenciou a nossa decisão de direcionar os nossos estudos para este portfólio, dando maior ênfase ao contexto de creche.
Assim, consideramos ser uma mais-valia construir este portfólio centrado na creche. Sabendo que iremos realizar um estágio em contexto de berçário ou creche, no próximo semestre, permitiu-nos compreender como se define um bebé e as características específicas dessas idades. Além disso, adquirimos novos conhecimentos e aprendemos estratégias e práticas que poderemos aplicar quando estivermos inseridas nesses contextos, em contacto com crianças de tenra idade.
Algo muito importante que retiramos, indiscutivelmente, para a nossa ação em contexto de trabalho com crianças, seja em estágio ou na vida profissional, é que a maior parte dos comportamentos e emoções que as crianças apresentam, se os conseguirmos interpretar, ajudam-nos a conhecê-las, saber como se sentem e a melhor agir, de forma a responder às suas necessidades. Isto significa que, de forma a potenciar o desenvolvimento e aprendizagem das crianças, a nossa relação com elas deve ser rica em interações positivas e responsivas, da nossa parte, implicando, desta forma, a gestão do grupo segundo as suas necessidades e especificidades.
Durante todo o portfólio, procurámos estabelecer uma relação entre a pedagogia e a psicologia, na medida em que tentamos explicar as motivações por detrás de certos comportamentos e analisar os processos cognitivos, enquanto mostrámos como é que os educadores podem orientar as suas práticas perante cada situação, para além dos ambientes que devem estar organizados e os contextos educacionais que devem ser orientados. Entendemos, também, a importância de conhecer as emoções das crianças e o espaço que lhes devemos dar, para que elas próprias explorem as suas emoções e as daqueles que as rodeiam, desenvolvendo a empatia e a autonomia nas suas interações sociais.
Com isto, apercebemo-nos que é importante as crianças explorarem e terem conhecimento das suas emoções, assim como, nós, enquanto futuras profissionais de educação, temos a necessidade de compreender o impacto que as nossas próprias emoções têm nas crianças e no ambiente educativo que criamos para elas. Como tal, é importante proporcionar-lhes um ambiente que as faça sentir seguras e que as incentive a explorarem não só a si próprias como àquilo que a rodeia, nomeadamente, explorar as interações com os pares e com o adulto.
No entanto, tal como refere Meirieu (s.d.), a aprendizagem "não se deixa confinar aos contextos e lugares para os quais é habitualmente remetida" (Meirieu, s.d., citado por Pinto, 2003, p. 8), contrariando a ideia de que a aprendizagem ocorre apenas nos contextos educativos, pois o contexto social da criança, a interação com os outros, as práticas educativas e a cultura familiar têm um forte impacto no processo de desenvolvimento e aprendizagem. Desta maneira, envolver os pais/famílias e outros membros da comunidade no "planeamento, realização e avaliação de oportunidades educativas é uma forma de alargar as interações e de enriquecer o processo educativo" (Silva et al., 2016, p. 16-17). Portanto, é da responsabilidade do educador proporcionar as condições necessárias para esse envolvimento e participação, gerindo essa articulação e utilizando formas de comunicação apropriadas.
Em suma, esta Unidade Curricular permitiu-nos refletir sobre quais são os nossos propósitos educativos, como pretendemos que sejam as nossas práticas educativas e que tipo de educadoras ambicionamos ser. Além disso, adquirimos novos conhecimentos que terão impacto nas nossas práticas profissionais, enquanto futuras educadoras. Também entendemos as bases do desenvolvimento humano e a importância do papel que nós desempenhamos em proporcionar as melhores experiências para esse desenvolvimento. Tendo em conta que somos trabalhadoras-estudantes, já enfrentamos alguns dos desafios mencionados neste portfólio. Contudo, reconhecemos que estamos apenas no início do nosso percurso, então muitas dúvidas ainda irão surgir mas todo o conhecimento adquirido nesta Unidade Curricular será certamente muito útil para a nossa vida profissional. Por fim, destacamos os excelentes documentos e autores que conseguimos reunir, que abordam temas importantíssimos que nos permitiram orientar as nossas práticas profissionais.
